Histórias da Otorrino

Em Torno da Biografia do Dr. Howard P. House

13/5/2009

Por: Dr. Roberto Martinho da Rocha

Caderno de ORL e Cirurgia da Cabeça e do Pescoço F méd (BR), 1992; 104(3):83-87

O Dr. Howard House editou um livro biográfico. Gravou muitas horas, com comentários sobre a sua vida e a dos que como ele, construíram a Otologia. Nos seus relatos cita episódios pessoais, alguns de fino humor. O material foi recolhido por um escritor, Sydney Hyman, que deu forma literária ao que gravou o Dr. House.

Howard House é um exemplo vivo e fulgurante da Otologia, um dos responsáveis pelo prestígio da ciência dos ouvidos. Cabeça do grupo House de Los Angeles, está presente a todos os acontecimentos importantes da especialidade, com seu saber, sua vasta experiência e seu trato ameno, afetuoso, de verdadeiro Embaixador.

Howard Payne House nasceu em 29 de junho de 1908. A mãe morreu quando tinha quatro anos. O pai era dentista. Quando ele tinha oito anos o pai casou-se novamente. Nesta ocasião, House e um menino vizinho fizeram uma mistura explosiva e puseram fogo, com grande estrondo e destruição parcial da garagem. No dia seguinte, um policial veio até sua casa e conduziu Howard e seu pai ao distrito policial, onde determinou a detenção do menino, depois transferida para liberdade vigiada, sob a supervisão do pai, por um ano. Só mais tarde Howard soube que o episódio havia sido preparado pelo seu pai com o juiz.

Uma vez seu pai o surpreendeu fumando cigarro de palha enrolado, junto com amigos. Sugeriu que experimentassem charutos e distribuiu a eles; todos engasgaram e ficaram tontos. O pai prometeu um carro a Howard se não fumasse até os vinte e um anos, e cumpriu a sua promessa.

Do segundo casamento de seu pai nasceram seus irmãos Warren, em 1922, Bill, em 1923 e Jim, em 1925.

Completou seus quatro anos de faculdade em 1934 e foi ser interno em San Diego. Em 25 de junho de 1935 terminou o internato e estava pronto para receber o diploma médico.

Foi ai que disse ao pai que havia decidido pela medicina.

Passou no exame para residente em Otorrinolaringologia. Na questão sobre causa mais comum de deficiência auditiva e seu tratamento, fez longa dissertação sobre otoesclerose. A resposta certa era Cera nos ouvidos...

No seu tempo de residência eram operados muitos casos de sinusite. Não havia antibióticos e não se sabia nada sobre alergia. Cirurgia da mastóide era com escopro e martelo. O objetivo era salvar vidas.

Tratamento de surdez começou no fim do século XIX, para doença de Ménière, com risco de meningite e morte. Quando surgiram os antibióticos, muitos procedimentos pareciam ter acabado. Antes resfriados produziam otites, que chegavam à mastóide, a ponto de serem operadas seis mastoidectomias em um só dia. Howard operou 360 mastóides como residente mais tarde, na clínica privada, fez mais de 30.000 operações de ouvido.

Quando era jovem, a Paramount Pictures pagava 15 dólares por dia para um médico acompanhar as filmagens e dar atendimento de emergência. House atendeu a famosa Joan Bennet, que havia pisado num prego. Pediu que tirasse o sapato e a meia, e ela acrescentou: minha atendente fará isso para mim...

Depois atendeu Virginia Mayo e muitos outros atores e atrizes, tornando-se amigo de muitos deles. Mais tarde eles lhe deram ajuda na construção do House Ear Institute.

House ganhava nove dólares por mês como residente e ia com a noiva, Helen, ao Coconut Gorve Hotel Ambassador, em Los Angeles, para uma mesa de drinks por pouco mais de três dólares, com o direito de assistir Bing Crosby e outros astros famosos.

Interessado em nariz obstruído, desenvolveu a técnica de ressecção submucosa do corneto inferior, que teve grande sucesso com contribuição da Rinologia.

Terminando a residência, desejou ter consultório particular. Antes, viajou pelo país. Passou três semanas com Dr. Arthur Smith, conhecido cirurgião plástico de LA, aprendendo a melhorar a estética do nariz. Depois, foi ter com o Dr. Dean Lierle, na universidade de Iowa, tornando-se seu amigo. Em St Louis esteve com Lee Walace Dean, grande especialista com quem ficou três meses. Ali encontrou Dr. French Hansel e a Dra. Dorothy Wolff. Hansel interessado em alergia, na época ciência muito obscura. Tomou curso com Hansel. Dorothy Wolf estudava histopatologia do osso temporal. Antes de conhecer Wolf ele nunca havia visto um slide de osso temporal. Muito mais tarde sugeriu a Dorothy Wolf o estudo paralelo do paciente falecido com dados da doença, do resultou a criação do Laboratório de Osso Temporal do House Ear Institute, depois dirigido pelo eminente George Keleman e Fred Linthicum.

De St. Louis foi para Chicago visitar o Dr. George Shambaugh SR., autoridade em otoesclerose e um dos organizadores do American Board of Otolaryngology, que dá certificado de especialista em ORL. Howard pensava que os problemas de surdez eram devidos a obstrução da trompa. A otoesclerose, a mais freqüente causa de surdez progressiva, é de natureza hereditária e raramente leve a perda total da audição. Em Chicago conheceu Francis Lederer, da Universidade de Illinois e Paul Holinger, dedicado a laringe, esôfago e traquéia. Dr. Lindsay, da Universidade de Chicago, era muito especializado em histopatolgia do osso temporal. Os três especialistas tornaram-se renomados e ficaram muito amigos de Howard.

Numerosas tentativas foram feitas ao longo dos anos para tratamento da otoesclerose. Em 1877, Kessel publicou na Alemanha a história de um jovem que recuperou a audição após fraturar o crânio. Depois de morto, Kessel examinou o crânio e verificou que uma rachadura havia permitido a passagem dos sons para os fluidos do ouvido, ativando o nervo acústico. Kessel tentou criar a rachadura, mas não obteve sucesso para a audição. Quase ao mesmo tempo surgiram relatos de mobilização do estribo de Boucheron, na França em 1888 e de Berlin por Miot em 1890. Também de Boston , em 1893, por Jack e Blake. Os insucessos eram por falta de amplificação e falta de antibióticos. No entanto, os princípios de liberar o estribo fixo estavam firmes no início do século XX.

Um viajante em Indiana atraía multidões oferecendo cinco dólares para quem ficasse num ringe com um boxer. Um surdo que aceitou o desafio e foi a nocaute. Ao cair bateu a cabeça contra um dos postes do ringe e recuperou a audição. Daí o anunciante chamava os surdos para recuperarem a audição com o boxer, que batia no ouvido. O fato não se repetiu, mas chamou a atenção dos médicos para o problema do estibo fixo.

Dr. Shambaugh SR. Foi um pioneiro no diagnóstico da otoesclerose, porem um descrente no tratamento pela fenestração, que era desenvolvido em Nova Iorque por Julios Lempert. Os cuidados de Shaumbaugh Sr. Passaram para seu filho, George Shambaugh Jr, que como o pai ficou famoso pelas suas contribuições à Otologia, especificamente para a otosclerose. Publicou o livro Surgery of the Ear, um dos melhores existentes.

Howard conheceu Shambaugh Jr., cinco anos mais velho que ele, fixando permanente amizade. Ambos foram discípulos de Julius Lempert e fazem anos no mesmo dia, trocando cumprimentos de parabéns.

Na Temple University tomou curso com Dr. Chevalier Jackson e seu filho sobre remoção de corpos estranhos.

Em Baltmore observou o Dr. Samuel Crowe, que usava radium para adenóides, prática depois abandonada.

Howard retornou a LA antes do natal e fez um balanço da experiência ganha. Na sua trajetória pelo país digeriu amplos conhecimentos adquiridos e fez muitas amizades.

Dr. Harris P. Mosher, do Mass Eye and Ear Infimary, era um homem paradoxal. Grande autoridade em cirurgia de cabeça e pescoço. Deixou a clínica privada para dedicar-se ao trabalho acadêmico.

Apesar de muito severo e considerado o terror dos jovens médicos, era capaz de gestos especiais, como o que teve para com Clair Kós, que se tornou um dos mais chegados amigos de Howard; grande figura da Otologia, em pesquisas e presidente de várias sociedades. Sendo residente de Mosher e passando por dificuldades financeiras que interromperam seu treinamento, teve em Mosher seu salvador, com discrição.

Mosher era capaz de ferir com a língua, mas também era capaz de provocar risos. Uma vez disse que dar ao professor o título de emérito era como o beijo da morte, sendo uma forma de execução; com o título o professor estaria morto.

No Mass Eye and Ear, tomou ao mesmo tempo, curso com Dr. Phillip Meltzer, de quem se tornou amigo.

Foi Mosher que sugeriu a Howard a ir à Nova Iorque para ver Lempert. Fez carta de recomendação, pagou a viagem e a estadia em um pequeno hotel, recusando pagamento de volta.

Lempert era muito combatido. Dr. Isadore Friesner, chefe de ORL do Mount Sinai Hospital, e NY, proibia seus subordinados a visitar Lempert ou se familiarizarem com o que vinha fazendo.

Lempert era fisicamente baixo, com ampla testa e cabelos longos, tendo pernas muito curtas e nariz pontudo, com ombros largos. Sempre com roupas caras e imensa limusine conduzida por motorista uniformizado. Casou-se com uma corista, Flo, de Zeigfield Follies e Rockett da Radio City. Tinha imensa coleção de obras de arte e mesa cativa na famosa Boate 21. Nascido judeu na Polônia escapou para NY, onde foi engraxate e vendedor ambulante. Em 1927 já havia operado 1500 mastóides. Em 1928 Shambaugh Sr. Publicou trabalho de Lempert da cirurgia de ouvido pelo conduto, em lugar da via retro auricular. Criou o Endaural Hospital, na Rua 74, com cinco andares. Tudo que tocava virava ouro. Fazia ampla publicidade.

Holmgren, de Estocolmo, realizou a fenestração em três tempos. Recebeu Lempert que converteu sua cirurgia em um só tempo, usando lente de aumento, broca de dentista e reduzindo a possibilidade de fechamento secundário da fenestra.

Howard chegou a NY vindo de Boston em 1928, com carta de Mosher. Lempert mandou o motorista levá-lo para o Hotel Waldorf Astoria. Quando Howard perguntou no hotel o preço, disseram-lhe que estava por conta de Lempert para todas as despesas. Lempert levou-o a Boate 21 e Howard ficou surpreso quando ele deu cinco mil dólares ao meitre que o levou a porta.

Acompanhou Lempert, que lhe abriu novo horizonte. Em lugar de fugir no nervo facial, Lempert recomendava identificá-lo. Dizia que uma pessoa não devia andar na rua de olhos vendados e sim de olhos abertos, vendo e identificando tudo. Em fenestração ultrapassou tudo que Howard conhecia. Com Lempert foi tratado regiamente. Se Howard ainda tivesse ambições para com a cirurgia plástica, desde então se concentrou na Otologia.

Empreendeu viagem a Europa, visitando o Dr. Gunnar Holmgren, do Instituto Karolinska em Estocolmo. Ficou duas semanas e desapontou-se com o contraste para com o que viu com Lempert. Desejando comprar alguns instrumentos da firma Karl Renner, quando ali se soube que tinha estado com Lempert, lhe dera de presente os ferros.

Em Zurique visitou o Prof. Lorenz Ruedi, da Universidade de Zurique e o Prof. Felix Nager, outro suíço famoso. Ruedi recebeu Howard e Helen em sua casa.

Em Paris tentou ver o Dr. Sourdille e sua fenestração. Sempre bem acolhido quando, como médico, dizia estar em turnê de pós-graduado. Sourdille foi exceção. Suas tentativas foram fracassadas. Retornou a NY pelo Queen Mary.

Howard começou a receber pacientes para curativos, depois de operados por Lempert e por Shambaugh. Voltou a NY para um curso de seis semanas com Lempert. Com ele fez trabalhos anatômicos de meias cabeças, com as fases das cirurgias.

Seu primeiro paciente foi um jovem brasileiro. A cirurgia foi tranqüila, como nos cadáveres que havia operado.

Sucesso com a fenestração deu a Howard muitos pacientes, em fila de mais de seis meses de espera. Veio ficar com ele Dr. Edward Johnson, audiologista que permaneceu por trinta e dois anos.

Bill distinguiu-se na carreira de dentista. Aperfeiçoou o Rx dentário; modificou a cadeira para poder examinar os dentes superiores sem a necessidade de espelho. Aos 23 anos era entusiasta da profissão, servindo a Marinha. Depois foi para a escola de medicina.

Howard tornou-se muito famoso. Em 1946 recebeu o Dr. Aram Glorig, que estudava na Inglaterra o trauma acústico e veio a ser diretor de pesquisa da Los Angeles Foudation of Otology e chefe do subcomitê de pesquisas de ruído. Howard e Glorig buscaram uma firma que permitisse exames de audição de trabalhadores submetidos a intenso ruído. Allis Chalmers Corporation atendeu e pela primeira vez, surgiram resultados da relação dos níveis de ruído e graus de perda auditiva.

Glorig sugeriu o uso de protetores de ouvido. Em 1957, 50.000 audiogramas expandiram os horizontes da surdez por ruído e o Centro ganhou reputação internacional.

Em 1954 Howard havia feito 5000 fenestrações e outro tanto de mastoidectomias para otite crônica.

Um dia, em 1955, Mr. Curts de Detroit insistiu em fazer uma consulta imediata. Não havia vaga. Apresentou-se com presidente do General Motors e disse que estava com ouvido obstruído, tendo que fazer uma conferência à noite. Foi atendido, sendo comprovada surdez súbita. A conferência foi cancelada e o paciente retornou a Detroit.

Curtis não recebeu a conta de Howard porque a General Motors havia doado um milhão de dólares para a Associação Médica.

Helen, esposa de Howard, desejava um Cadilac branco com forração vermelha, como presente de aniversário. Ao telefonar para uma concessionária, foi lhe dito que não havia tal modelo disponível e que a encomenda demoraria um mês. Howard chamou Mr. Curtis que gostou de ser lembrado e afiançou que entregaria o carro em uma semana. Quando Helen viu o carro, ficou encantada, mas não gostou dos pneus Goodyear. Disse que não poderia ser infiel ao amigo Leonard Firestone, que era cliente de Howard e pertencia à Los Angeles Foudation of Otology. No mesmo dia, depois de invocados os nomes dos maiorais da General Motors e da Firestone, o carro foi entregue a Helen com as iniciais "S.P.", que significava specially produced, por ordem de Mr. Curtis. Havia uma placa com a descrição: "specially made for Helen House".

Em maio de 1950, Howard recebeu telefonema do Dr. Joseph Goldman, do Departamento de ORL do Hospital Mount Sinai, de Nova Iorque, para dizer que um membro staff, Dr. Samuel Rosen, estava trabalhando na técnica de mobilização do estribo e queria contato com Howard. Rosen chegou à técnica por acidente. Ao iniciar uma operação de fenestração, ao palpar o estribo para comprovar a sua fixação, mobilizou-se o ossículo e o paciente disse "Doutor, estou ouvindo!" Rosen estava retomando uma operação tentada no início do século XIX, com vantagem sob a fenestração, por ser mais simples e poder dar mais ganho auditivo. Howard voltou a LA com um set de instrumentos dados por Rosen. Casos mobilizados em grande número voltaram à fixação e outros sofriam fratura do estribo à pressão.

Em 1955 Rosen apresentou 200 casos operados por ele e por outros otologistas, inclusive Howard.

Por esse tempo Bill havia terminado o internato e iniciado residência em ORL. Bill começou a intervir em casos de fratura da mandíbula, que era área dos dentistas. Houve problemas com a atitude de Bill, que feria a autonomia dos dentistas. Começou então a acompanhar as operações de Howard.

Em julho de 1955, John Shea, ao terminar sua residência na Universidade de Harvard, foi estudar com Howard e esteve com ele seis meses. Howard teria ficado com Shea como associado, porque era cirurgião brilhante e imaginativo. Uma noite Shea disse para Howard "Por que não triar todo o estribo e colocar algo em seu lugar?" Howard achou que haveria grande risco com a exposição do ouvido interno. "Por quê?", replicou Shea, "se você esta todo dia expondo o labirinto em suas fenestrações?" Howard nunca desencorajou ninguém. Shea voltou para Memphis a fim de iniciar sua clientela. Reviu a literatura e achou a retirada do estribo, no passado, tinha falhado por falta de antibióticos e de boa visão no campo.

Alguns meses depois, na Trialogical Society, Howard era moderador de um painel sobre mobilização do estribo, ao lado de Rose, Meltzer, Hope, goodhill, Shambaugh, Kós, Shuknecht e Farrior. Antes, Shea aproximou-se e adiantou-lhe um audiograma de paciente antes e depois da operação que havia realizado, que chamou de Estapedectomia. Shea também exibiu slides sobre a técnica e os testes antes e depois, com excelente resultado. Shea removia o estribo e cobria a janela oval com veia, utilizando plástico em lugar do estribo. Howard sugeriu a Shea apresentar a técnica na discussão do painel. Ao terminar seu comentário de quatro ou cinco minutos, antes que fosse contestado Howard encerrou o painel.

Com isso acelerou-se o eclipse de Julius Lempert.

No último ano de residência de Bill, Howard foi à Alemanha para conhecer o trabalho de Zöllner e Wulstein, cujo pioneirismo em timpanoplastias estava mudando a cirurgia otológica, diametralmente. Wulstein usava microscópio Zeiss, depois aplicado para cirurgia ocular e neurocirurgia. Em seguida foi Bill um dos primeiros a usar microscópio no Estados Unidos. A Fantástica clareza de detalhes da membrana timpânica, ossículos, nervo facial apresentava um novo panorama.

Bill interessou-se pelos problemas do ouvido interno. A associação de Bill com outros médicos veio como nova contribuição. A lavagem simultânea com aspiração do campo cirúrgico facilitava e abreviava as operações. Depois veio Jack Urban, que desenvolveu câmeras sofisticados. Jack foi o responsável pelo atual sistema elétrico de abaixar e levantar os vidros dos automóveis e pela cinematografia circular do Cinerama da Disneylândia. Criou vários aparelhos, inclusive um para aspirar o interior dos tumores do acústico.

Dr. Frederick H. Linthicum Jr. interessou-se por otologia infantil e Histopatologia. Dr. James L. Sheehy foi recomendado pelo Dr. Robert McNaught, que descreveu Sheehy como o mais perfeito residente.

Em 1950, a Los Angeles Foudation os Otology era pouco mais que um balcão para a secretária e os consultórios de Howard e seus associados: Bill, Linthicum, Sheehy. As pesquisas de Bill não se limitava a um só assunto apor vez. Problemas do facial, acesso ao meato acústico interno, neurinoma do acústico eram estudados, com aperfeiçoamento de técnicas. Outros foram os cirurgiões que treinaram com Bill, como o notável Ugo Fisch, de Zurique, e mais tarde, também John House. Bill aperfeiçoou a operação da Doença de Mèniére a partir dos trabalhos do Dr. Georges Portmann de 1924. Desenvolveu as operações dos tumores do nervo acústico com Hitselberg, que havia treinado em neurocirurgia. Em 1963, Bill e Hits tinham já operado 63 neurinomas. Publicou um a monografia de 50 páginas no Archives, com apoio de Shambaugh, que era editor. Em 1989, o Grupo House tinha operado 2000 neurinomas, um recorde mundial. Foram consagrados como gigantes da cirurgia dos tumores do acústico: Harvey Cushing, Walter Dandy e William House.

A etapa seguinte de Bill foi à criação do implante coclear, que começava a estudar em 1961, alcançando repercussão internacional. Em novembro de 1984, a Food and Drug Administration, repartição do governamental, julgou o equipamento de implante adequado para aplicação em seres humanos.

Em 1968 foi criado o Programa de Médicos Visitantes, para oferecer a cada visitante os aspectos desejados de cada um.

Derald E. Brackman associou-se ao grupo depois de treinar com Michael Portmann e Jean Aron, na frança. Tornou-se chefe do laboratório de eletrofisiologia, sendo dos primeiros a fazer audiometria de tronco cerebral para diagnóstico de tumores do acústico.

Antonio de La Cruz, nascido em Costa rica, foi convidado para o grupo. Com seu espanhol fluente e seu dinamismo, tem viajado amplamente pela América e participado de congressos. De La Cruz tem treinado médicos de outros países.

Cercado de seus colaboradores, na liderança da Otologia contemporânea, O Dr. Howard P. House ultrapassou tranqüilo seus 80 anos de idade e segue com saúde, alvo de admiração e apreço de quantos tiveram o privilégio de conhecê-lo e de continuar acompanhando a sua inestimável contribuição à especialidade. Seu livro retrata os nomes e os fatos de sua vitoriosa trajetória e o leitor encontrará nele dados ilustrativos e de valor para enriquecer seus conhecimentos sobre Otologia.

Referência
1. Hyman S. For the World to Hear. A Biography of Dr. Howard House. Hpoe Publ House, Passadena, CA 1990.

 

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